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A maratona do Antonio de Lima chegou nas latinhas de Vulcano!

“Olá! Me chamo Antonio Elton de Lima, tenho 38 anos, sou professor de língua portuguesa e pratico corrida na modalidade de ultramaratonas desde 2013, provas acima de 50km. Escolhi a modalidade por ela me proporcionar a emoção de todas as outras distâncias, só que em larga escala”. É assim que Antonio se apresenta, vibrando com a euforia da largada, sentindo as dores e o desespero do percurso e, ao mesmo tempo, com a sensação de dever cumprido em cada chegada.

 

Com o início da carreira, no final de 2012, ao ser convocado para um TAF dos Correios, Antonio percebeu que não tinha, ainda, o preparo específico para o esporte, pois na época não corria, fazia somente musculação. “Faltava pouco mais de dois meses para o exame e resolvi treinar com afinco, comecei a correr na rua com distâncias de 5km, 10km e participava de todas as provas da região onde morava na época (Brasília). Fiz o teste dos Correios do qual fui aprovado já com uma certa facilidade”, explica Lima.

 

Aos poucos, o atleta foi percebendo que as provas de 5km a 10km já não eram suficientes para toda a sua energia, Antonio precisava de algo a mais e, foi nas distâncias maiores que ele se encontrou. “A partir

de 2013 até 2018, não participei mais de provas, ficaram sem graça e sem “alma”, eram eventos para arrecadar dinheiro, virou negócio, daí decidi somente correr por correr, treinava todos os dias, principalmente nas estradas de terra e trilhas, pois me conectar com a natureza é uma terapia. Percorria uma maratona de 42,195km todo final de semana, sem compromisso com tempo, nada, apenas correr, eram cerca de 4 horas de um monólogo com a natureza”, relata Antônio de Lima.

 

Só em 2018, quando participou da primeira ultramaratona de 100km e, com o espírito mais competitivo, foi que ele se deparou com as dificuldades que poderia enfrentar no esporte escolhido. Os custos com as viagens, hospedagens e as inscrições poderiam ser um empecilho para continuar no esporte. “O esporte me trouxe como um dos principais benefícios a disciplina, o comprometimento e a capacidade de enfrentar crises, traço um paralelo das dificuldades da corrida com as dificuldades da vida, essas são as subidas encontradas nas estradas e trilhas… sei que logo depois terá uma descida, e tudo vai passar. Mas como ninguém faz nada sozinho, depois de anos morando fora da minha terra, ainda em 2018 retornei para Altos, no Piauí, e criei o grupo de corrida, chamado Altos Corredores. A cultura da corrida de rua virou uma febre na cidade. Já são dois anos de uma troca, onde entro com a motivação e treinos e eles, com a alegria de correr, me ajudam até na compra de passagens e nas inscrições das provas”, conta Lima.

 

Quando descobriu a Seleção Brasileira de Ultramaratona de 100k, percebeu todas as dificuldades enfrentadas pelos atletas para viajar e competir, além de terem que alcançar um índice para entrar na equipe, travam outras batalhas como, por exemplo, conseguir apoio para os custos da viagem. “O governo ajuda com muito pouco, não há apoio, os atletas não são profissionais, porque precisam trabalhar com outras coisas para o sustento, além de se dedicarem aos treinos diários e cansativos. Digo sempre que correr uma prova de 100km é “fácil”, mas treinar para uma prova dessas é surreal e exaustivo. Meu sonho e meta para os próximos anos é entrar para Seleção Brasileira, será algo que vou perseguir com unhas e dentes, ou melhor, tênis, muitos pares de tênis para suportar os quase 6 mil quilômetros percorridos por ano”, reflete Antonio de Lima.

 

A mensagem final que Antonio deixa é: “a corrida é algo libertador, só precisamos colocar um par de tênis e sair por aí, e às vezes nem isso, até descalço dá para praticar, nossa essência é correr. Para quem não busca performance, basta saber que ali encontrará saúde e qualidade de vida, estará em movimento e isso é essencial para todos nós”.

 

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